"Picar" um "kota"???? Isso não se faz! Acho que até é punível pelo Código Penal
Querem saber como fiquei "tiffosi"? Eu conto:
No logínquo ano de 1970 (sim, viram bem!!!), um puto foi, pela primeira vez, ver o Rali Internacional TAP (era assim que se chamava) à Serra de Sintra. Um luxo, aquelas "picadas" em terra! E ainda "ninguém" ia aos Ralis! Aquilo parecia um deserto!
Ora bem, na altura, os carros que dominavam os ralis eram os Alpine Renault e os "três mosqueteiros" Andruet, Nicolas e Thérier.
Como eu era "puto" (tinha 11 anos), tinha de "ser do contra". E, vai daí, "torci" pelos carros encarnados (a minha cor favorita), os Lancia Fulvia HF 1600.
Como ganhou um deles, pilotado pelo Simo Lampinen (já havia "Finlandeses Voadores"), fiquei um fã da marca, que depois estendi a todo o grupo Italiano (Fiat, Ferrari e , mais tarde, Alfa Romeo).
E foi assim que começou a paixão. Vi o famoso duelo Alen/Mikkola no "Grande Prémio de Sintra" de 1978, os fabulosos Stratos, as bombas de 1986, que metiam medo, o acidente do Quim Santos (eu estava na ligeira lomba que dava acesso à "esquerda" onde ele se "espetou"), a "morte" das noites de Sintra, Martinchel em 1983 (ainda com a Mouton em Audi e os lindíssimos 037) e muitos, muitos troços e locais, entre testes, treinos e prova, por esse Portugal fora.
No estrangeiro já realizei um dos meus sonhos: o "1000 Lagos", na Finlândia. Para além desse, a Alemanha, muitos anos na Catalunha, etc.
Antes era uma verdadeira "guerra" de "bocas" entre os adeptos da Ford e dos Lancia/Fiat.
Agora, como é óbvio, é tudo muito mais pacífico. Não há claques, como havia. Ver Fiat's com Alen e Ford's com Vatanen era um delírio, simplesmente "tínhamos" de tomar partido. E os "tracção traseira" davam um espectáculo como nunca mais vi.
Parafraseando um grande piloto, o Walter Rohrl, os pilotos de agora são "ovos moles, que não sabem andar de noite". Sem ofensa, mesmo o Loeb se viu à rasca para fazer dois troços de noite no Monte Carlo de 2007. Ele mesmo o disse.
Nos anos 80 e princípio de 90, eu começava a ver os carros que saíam do Estoril às 7 da manhã (no Gradil ou em Montejunto), seguia para Figueiró dos Vinhos, depois para Arganil (asfalto) e ia ainda vê-los a Arouca/Oliveira de Frades. Depois ia a casa tomar banho e seguia para Fafe, ver a descida do Confurco. E os pilotos, que começavam às 7, chegavam à Póvoa de Varzim às 3 da matina. Incrível!!!
Agora fazem três troços de manhã, param, coitadinhos, porque estão muito cansadinhos, fazendo outros 3 à tarde. E têm de ser os mesmos, senão amuam, coitadinhos. E têm de ter os carrinhos com todas as ajudas electrónicas e direcções assistidas e-mais-não-sei-o-quê, senão já não se aguentam no balanço.
Podem dizer-me que os carros, agora, andam muito mais. Não o nego. Mas, PILOTAGEM como antes, não existe. Não tenho nenhuma equipa preferida (bem... "torço" um bocado pela Citroën, por continuar a ser um anti-Ford

). E quantas equipas "de fábrica" havia, na altura? E quantas existem agora?
Nos anos 70 era comum pilotos "privados" ganharem ralis do mundial (o último acho que foi o Nicolas, no Monte Carlo, com um Porsche). E agora? Pobres privados, com tanto esforço - e muitas vezes tanto talento!
Tive oportunidade (e a felicidade) de servir de "batedor" a equipas de fábrica, quando se deslocavam a Arganil, em testes. Travei conhecimento com alguns pilotos de ponta, como o Biasion e o Delecour, o Auriol, o Sainz (fabulosamente simpático), o Makinen (a simplicidade em pessoa!), o McRae (mas não falei com ele), o Gardemeister, o Burns (coitado) e, o último dos virtuosos, o Gronholm, na Peugeot. Ter tido a oportunidade de ver esses gajos todos, em troços fechados - também por mim - durante todo o dia era simplesmente fabuloso. Acreditem que era melhor que ver o Rali propriamente dito!
Quanto à F1, estamos conversados. Quem vibrou com o Gilles Villeneuve (O MAIOR!), não pode compreender como o filho foi campeão mundial.
Quem assistiu às corridas do Keke Rosberg, não pode deixar de sorrir com as manobras do filho. Quem viu o Mansell a perder o Mundial por se lhe ter rebentado um pneu a mais de 300 km/h e tendo ele dominado o carro, apesar disso, só pode dar gargalhadas quando ouve dizer que o Alonso é um grande piloto, ou que o Raikkonen é campeão do mundo (e foi com um Ferrari!).
Isto vai longuíssimo. Obrigado pela discussão.
Ora, "picar" o Art??? Deixem-se disso! Estejam à vontade. São sempre bem vindos ao debate.
Um abraço a todos
Art