Tigre Escreveu:DFV :
Já agora sabes pq Jim Hall decidiu acabar com o 2J ? O carro tinha potencial, nunca foi explorado devidamente e ao que me parece, o seu maior defeito estava nos travões (comum a toda a série Chaparral).
Tb segundo li algures, a especialidade do 2J era ultrapassar os adversários nas curvas e por fora. Isto num carro com caixa de 3 velocidades e embraiagem semi-automática (ou algo semelhante) e no inicio dos anos 70, era obra !
Não foi Jim Hall que acabou com o 2J, foi a SCCA (que sancionava as corridas Can-Am). Ou, mais exactamente, as reclamações dos concorrentes e, especialmente, de Teddy Mayer, o "patrão" da McLaren, que dominava os concorrentes há 3 anos e, por acaso, era advogado.
Por partes:
O grande potencial do 2J era gerar efeito de solo, através da criação de uma "caixa de vácuo", debaixo do carro, selada com "saias". O ar era chupado dessa "caixa" por duas ventoinhas, movidas pelo pequeno motor a 2 tempos de um "snowmobile" (sim, o 2J tinha 2 motores...). Funcionava como um aspirador gigante, provocando apoio sem o efeito nocivo de "travão", o problema dos ailerons. O carro ficava assim "colado" ao chão, permitindo um aumento (enorme) de velocidade em curva.
Isto permitia ao 2J fazer as curvas com maior rapidez, estabilidade e, em trajectórias que os outros não podiam ter.
Esta "sucção" permitiu também manter as rodas coladas ao chão, tendo aproveitado para se alargar os pneus - superficie de contacto maior, melhor travagem e aceleração.
Problemas:
As curvas a velocidades muito maiores, levavam o carro - piloto e peças -a estarem sujeitos a forças (Gravidade em curva) muito maiores que as até então conhecidas, o que se tornou nocivo para a resistência e longevidade de vários componentes mecânicos. Criaram-se toda uma série de problemas novos que, tinham de ser resolvidos aos poucos.
Quanto à caixa de velocidades (e, tal como em anteriores Chaparral) era uma caixa automática, mas que permitia passar 3 relações manualmente - sem embraiagem, claro - até às 5000rpm; a partir daí "fazia tudo sozinha".
O carro foi guiado por 2 pilotos - Jackie Stewart e Vic Elford - e, faltou a várias provas.
A "desonestidade" da concorrência:
Os concorrentes, sobretudo os "elefantes laranjas" - McLaren - tinham consciência que, uma vez resolvidos os problemas de "crescimento", o 2J seria imbatível. Depois de umas reclamações pontuais sobre o facto de o carro atirar para os que vinham atrás toda a sujidade da pista - efeito das ventoinhas - o Sr. Teddy Mayer reparou que, a CSI tinha "interdito os dispositivos aerodinâmicos móveis" (depois dos acidentes de vários F1 equipados com ailerons altos, ligados às suspensões - uma ideia original de Jim Hall, só que nos carros dele nunca se partiram...). Ora, as famosas "saias" poderiam ser consideradas um "dispositivo aerodinâmico" e, eram "móveis". Cheque-mate!
(Como se vê, o "carro-ventoinha" da Brabham e a ideia de "efeito de solo" e "saias" para selar o fundo do carro, já vêm de 1970...)